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Dossiê Iluminação: as dicas preciosas do Andrade & Mello Arquitetura

Os arquitetos Erika Mello e Renato Andrade explicam a diferença entre iluminação direta, indireta e difusa, temperatura das lâmpadas e como usar esses artifícios ao favor do conforto visual e funcionalidade dos ambientes



Cozinha com iluminação de led embutida no móvel | Foto: Emerson Rodrigues


Um projeto luminotécnico eficiente vai muito além de escolher uma luminária. É preciso analisar o uso e a necessidade de cada cômodo de forma independente, pensando nas atividades e equilibrando a luminosidade artificial e a natural. Esse cuidado ajuda a transformar os ambientes da casa, tornando o dia a dia mais funcional e agradável. Os arquitetos Erika Mello e Renato Andrade, à frente do Andrade & Mello Arquitetura, ensinam algumas regrinhas para evitar erros nesse assunto. “Cada ambiente pede soluções diferentes devido as inúmeras funções, por isso, requerem um projeto luminotécnico personalizado, levando em conta, principalmente, a usabilidade e a entrada de luz natural”, explica Erika.


Para garantir uma iluminação certeira, não deixe pedir ajuda para um profissional. “Se for comprar diretamente na loja, como a Yamamura, que é uma grande parceira nossa, você pode pedir diretamente ajuda aos consultores. Para quem optou por projeto de interiores, um arquiteto ou designer indicará a quantidade, tipo de luz, cor”, explica Renato. “Um projeto de iluminação começa pelo briefing do espaço, além do plano de atividades da família, que nos permite pensar nas sombras e na relação da iluminação com as cores escolhidas para o espaço”, completa o arquiteto.

Com ambientes cada vez mais integrados, é necessário pensar nas várias possibilidades e cenários dentro do mesmo espaço. Um exemplo é o living, perfeito para receber os amigos e a família. É ali que acontecem os bate-papos quando exerce a função de sala de estar, mas também convém pensar numa iluminação que atenda a área da TV, já que o ambiente também carrega essa funcionalidade. “Neste caso, trabalhamos com iluminação direta em um abajur e a indireta. A indireta é perfeita para uma sala de TV, enquanto o abajur serve para criar um cantinho de leitura”, exemplifica Erika.


Tipos de iluminação

Mas, você sabe o que é luz direta, difusa e indireta? A direta tem como foco iluminar um ponto específico, como quadros e esculturas que merecem destaque. Outro uso é sobre escrivaninhas ou mesas laterais para auxiliar na leitura em um cantinho com poltrona ou na área de trabalho. Para esse tipo de iluminação, prefira o uso de luz neutra e lâmpada de LED, pois praticamente não esquentam o objeto iluminado.


Já a iluminação indireta torna o ambiente mais intimista e confortável visualmente. Esse tipo é muito adotado quando existe rebaixamento de gesso e forros de teto, permitindo que a luz seja direcionada a uma superfície e assim, refletida em diversas direções, tudo isso para iluminar os cômodos de forma uniforme. “Em nossos projetos sempre temos o cuidado de fazer um detalhe com uma iluminação indireta, pois um clima intimista é sempre gostoso para o ambiente. Já a luz direta segue uma questão bem mais funcional”, conta Renato.


Outra forma de iluminação dos ambientes é a difusa, em que as lâmpadas são de vidro leitoso, quebrando a intensidade da luz sem diminuir a capacidade de luminosidade. Ela garante uma luz uniforme e suave, fazendo com que todo o ambiente receba iluminação sem praticamente criar sombras indesejadas.




Diversos cenários de luz compõem o projeto luminotécnico do apartamento | Foto: Luis Gomes

Luz quente ou luz fria

Para classificar a tonalidade de luz foi desenvolvido um sistema chamado de temperatura de cor em que a unidade de medida é o Kelvin (K). O sistema determina que quanto mais alta for à temperatura da cor, mais clara será a tonalidade da luz.


• Valores até 3.500K: Referem-se à luz branca quente, com tonalidade amarelada. E tem como característica deixar o ambiente com aspecto de maior relaxamento e aconchego.


• Valores entre 3.500K e 4.500K: Referem-se à luz branca neutra, que mais chega perto da luz do dia, e por isso, não distorce as cores reais dos objetos.


• A partir de 5.500K: Luz branca fria, essa tonalidade possui maior dinamismo, e é recomenda para locais que necessitam de mais iluminação.


Em apartamentos pequenos é possível trabalhar com diversas possibilidades. Segundo os arquitetos, dificilmente deve-se optar por usar a fria acima de 4.000K em residências, pois causa muito desconforto. “Luzes frias são bem mais específicas e usamos quando é um pedido do cliente. Para casa, indicamos sempre uma lâmpada mais neutra”, explica Erika. Exemplo: embora a cozinha seja um ambiente que pede bastante iluminação, você pode trabalhar com uma luz mais aconchegante, considerada morna. “Um dos erros mais comuns que vemos é adotar a luz branca na sala, por exemplo, a não ser que você queira que o ambiente seja um lugar que você fica só por cinco minutos, porque não é uma luz aconchegante e confortável”, complementa Erika.


Neste pequeno apartamento, a luz ajudou a demarcar os espaços, valorizar revestimentos e objetos decorativos nos nichos | Fotos: Luis Gomes


Sala de estar

Por ser um ambiente multiuso, ele pede por cenários com diferentes graduações. Convém usar a luz indireta, que ajuda a criar um clima intimista, assim como optar por uma iluminação mais geral, que possibilita clarear o espaço de forma homogênea. “Em apartamentos pequenos, colocar uma luminária ao lado de uma poltrona ou de um canto do sofá é bem bacana, já que ela pode ser direcional para uma leitura. Fica ainda melhor se puder pegar essa luminária e girar para focar para o teto, criando uma iluminação indireta para quando for assistir TV, dando dois usos diferentes para a mesma luminária”, diz Renato.


Sala de jantar

O ambiente também pede uma iluminação geral e uma direta – geralmente proporcionada por um pendente no centro da mesa, garantindo a luminosidade para baixo, iluminando a mesa e conquistando um clima intimista. “Lembrando que essa peça deve ser posicionada de 75 a 90 cm do tampo da mesa para resultar numa boa iluminação, sem sombras ou barreiras visuais”, fala Erika. Além disso, é possível compor cenários românticos ou festivos com a dimerização da luz geral. Em apartamentos pequenos, sala de estar e jantar estão quase sempre integradas, por isso a luz precisa seguir a mesma linguagem.


Cozinhas

Se o ambiente fizer parte integrante da área social é importante seguir a mesma iluminação do restante do apartamento. “Para a luz geral, costumamos usar plafons embutidos com difusor na mesma temperatura de cor da sala”, revela Renato. Na área da pia, a opção por uma fita de LED embaixo do armário aéreo ajuda a trazer luz para a bancada.


Banheiros

Os arquitetos costumam trabalhar a iluminação do banheiro da mesma forma que a da cozinha. Porém, para esse ambiente costumam colocar uma iluminação embutida difusa, e quase não usar plafon. “Essa escolha se dá porque, em geral, o banheiro tem o gesso rebaixado”, fala Erika. Outro ponto interessante é fazer uma iluminação nas laterais do espelho usando arandelas.


Dormitórios

Para os quartos, é preciso trazer uma iluminação mais acolhedora e intimista. As luzes difusas ou indiretas não ofuscam quem está deitado e trazem essa sensação de aconchego. As lâmpadas halógenas possibilitam compor cenários charmosos. Ao lado da cabeceira, é indicado usar um abajur ou pendente para uma iluminação pontual, e como iluminação geral, a sugestão é usar uma luminária com dois comandos, um facho direto para baixo e outro foco indireto para cima, mais suave.


Andrade & Mello Arquitetura e Interiores


Formados em Arquitetura, Renato Andrade e Erika Mello são sócios-fundadores do escritório. Em 12 anos de trabalho, somam mais de 100 projetos entregues com a certeza de terem proporcionado aos seus clientes todo profissionalismo nas intervenções realizadas. Além de atuar nos projetos, devotam suas experiências profissionais ao ensino: ambos respondem como professores titulares do Centro Paula Souza e lecionam disciplinas no curso técnico de Edificações.

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