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Menopausa merece atenção especial na saúde vascular

Com a queda estrogênica que se acentua nessa fase da vida feminina, a pele fica mais fina e as veias mais aparentes, dilatadas e tortuosas, e aumentam os riscos de doenças arteriais, como o infarto e o derrame.



Durante a menopausa, período em que ocorre o fim da fase reprodutiva da mulher, geralmente entre 45 e 50 anos, acontece a queda estrogênica, onde a pele fica mais frágil, o que acarreta alterações diretamente nas veias, deixando-as mais finas, dilatadas e tortuosas, favorecendo a aparição de varizes (veias doentes), devido à diminuição do colágeno e elastina da camada média do vaso. Entre outros efeitos da queda de progesterona e estrógeno está a redução da massa muscular, principalmente na musculatura das panturrilhas que envolvem as veias profundas e que atuam como bomba para esvaziar o sangue das pernas.

As varizes, além do componente estético, incomodam muitas mulheres também por conta dos sintomas, como peso, cansaço e dor ao final do dia. De acordo com o cirurgião vascular e membro da Comissão de Flebologia Estética da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) Dr. José Ben-Hur Ferraz Parente, elas podem aparecer ou se potencializar na menopausa por conta dessas mudanças hormonais, e deve ser observada a presença de vasinhos para evitar que haja sua progressão, o que pode dificultar o resultado estético, e até mesmo encarecer e complicar o tratamento. “Durante a menopausa é recomendado que a paciente realize os exames que permitam avaliar a circulação das artérias e das veias por meio de método não invasivo e que podem prevenir o avanço da doença, tromboses e derrames”, explica o médico.

Além disso, segundo o especialista, devido ao comprometimento anatômico e funcional, as veias dilatadas e tortuosas favorecem a formação de coágulos dentro delas, devido à estase sanguínea (o sangue circula mais lento dentro das veias), que pode acarretar inflamações (flebites) e até mesmo trombose venosa e embolia pulmonar, quando o coágulo migra das veias profundas para o pulmão. Na evolução das varizes não tratadas, há a possibilidade de surgir manchas escuras na pele e até mesmo feridas, nas fases mais graves.

Dr. José Ben-Hur esclarece ainda que os quadros de varizes nas pernas estão relacionados à hereditariedade, chamados de varizes primárias, que começam a se tornar evidentes em alguns casos já na juventude, mas que podem apontar em qualquer época da vida. “É preciso lembrar também da obesidade, do sedentarismo e dos maus hábitos que contribuem significativamente para que as varizes se manifestem”, comenta.

Já as varizes secundárias estão principalmente relacionadas a sequelas da Trombose Venosa Profunda (obstrução das veias que são envolvidas pela musculatura e responsáveis por 90% do sangue que retorna das pernas). “Essas varizes, que podem aparecer com pigmentações na pele e até provocar lesões, têm o intuito de compensar as veias que foram obstruídas”, revela o cirurgião vascular.

Segundo o, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) Dr. Fabio H. Rossi, pacientes que têm história de cirurgias prévias de varizes, tromboflebites e, sobretudo, episódio de trombose ou embolia pulmonar prévia, merecem um cuidado ainda maior, pois, com o avançar da idade, a diminuição no nível de atividade física e o ganho ponderal, o risco de recidiva de outros eventos de trombose aumentam consideravelmente.



Saúde Vascular e os hormônios femininos


Além das varizes, outras doenças vasculares correm o risco de aparecer na menopausa. “A redução hormonal observada nesse período eleva os níveis de LDL (colesterol ruim) e abaixa os níveis de HDL (colesterol bom), o que favorece o aparecimento da aterosclerose, que é o depósito de gordura dentro do interior das artérias, e leva à obstrução das mesmas, com problemas circulatórios graves, como infarto, derrames, além do risco de amputações”, enfatiza o especialista. O Dr. Fabio H. Rossi lembra ainda que o efeito protetor exercido pelos hormônios femininos, no endotélio dos vasos, que é a camada interna, se perde a partir da menopausa e aumenta muito o risco da formação dessas placas de ateroma, principalmente nas mulheres que possuem outros fatores de risco, como hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemias e fatores genéticos.

O cirurgião vascular e membro da SBACV-SP Dr. Marco Antonio Soares Munia alerta que a reposição dos hormônios femininos, comumente realizada nessa fase, aumentam o risco de desenvolver varizes e tromboses. “Na menopausa a mulher está mais protegida dessas doenças que acometem as veias, mas em contrapartida eleva a possibilidade de doenças vasculares arteriais. “Se houver a necessidade de reposição hormonal, existe um consequente aumento do risco de trombose venosa, e ela deve ser feita apenas após a avaliação vascular, para avaliar o possível risco de complicações. Em muitos casos essa reposição pode até mesmo ser contraindicada. Cada paciente é única e as particularidades necessitam ser levadas em consideração para uma decisão acertada. Muitas vezes o trabalho do ginecologista junto com o cirurgião vascular leva a melhores alternativas para a saúde”, ressalta Dr. Munia.

Conforme os especialistas, algumas medidas são importantes para prevenir a doença. Entre elas bons hábitos diários, como atividade física, que promove a redução do peso, fortalece a musculatura da panturrilha, o que favorece o retorno venoso; a realização de caminhada, que diminui o colesterol e reduz a pressão arterial; uma dieta rica em fibras e hidratação frequente com ingestão de pelo menos dois litros de água por dia; a avaliação com médico vascular para eventual tratamento e orientação quanto ao uso de medicação; e o uso de meia elástica.


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