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O leite materno promove um melhor desenvolvimento cognitivo e oferece proteção imunológica

Atualizado: 12 de Set de 2019

Além de ser extremamente importante para o bom desenvolvimento biológico e imunológico da criança, aumenta o vínculo mãe-bebê


A Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida do bebê, pois o leite da mulher é essencial para o bebê ter uma boa saúde. Além disso, aumenta os laços afetivos entre mãe e filho, contribuindo positivamente no desenvolvimento emocional e social do filho. O ato de amamentar faz bem também para a mãe.

“Para o bebê, o leite diminui o risco de doenças diarreicas, respiratórias e alergias. Há menor chance de o indivíduo desenvolver obesidade, hipertensão e diabetes, promovendo um melhor desenvolvimento cognitivo e proteção imunológica, além de aumentar o vínculo mãe-bebê. Já para a mãe, há menor risco de câncer de mama, evita nova gravidez, favorece ao retorno ao peso precocemente e involução uterina, dentre inúmeros outros benefícios para os dois”, explica a coordenadora e professora da pós-graduação em aleitamento materno e banco de leite humano da Faculdade IDE, Mariana Gonçalves.



“Os impactos deste ato são inúmeros, desde o vínculo familiar, o contato pele a pele, troca de olhares, colo, afeto e segurança. A amamentação não é somente nutrição, vai muito além disso. Crianças amamentadas têm muito mais chances de serem adultos saudáveis”, explica a professora da Faculdade IDE. Com o passar dos meses, algumas mães começam a se preocupar com a hidratação das crianças e ficam em dúvida se podem passar a dar água aos seus filhos entre uma mamada e outra.

Segundo a docente, isso não é necessário, pois o leite humano é produzido de acordo com a necessidade do bebê. “Mesmo em locais muito quentes, com temperaturas altas e elevada sudorese (suor) não se faz necessário hidratar com água ou outro líquido, pois o leite materno tem a quantidade ideal para o bebê. Porém, a mãe precisa consumir bastante líquido, manter-se bem hidratada”, orienta Mariana.

Há uma compreensão de que algumas mulheres têm pouco leite, mas esses casos são raros e geralmente por algo associado. “De modo geral, as mães possuem leite, sim. O leite materno nunca é fraco, ele é completo para o bebê. A quantidade de leite é muito variável pois envolve inúmeros fatores: hidratação da mãe, descanso e repouso, tranquilidade, anatomia da mãe e do bebê, sucção, estresse, intervalos da mamada, dentre outros”, esclarece Mariana.

Muitas mulheres optam por complementar a alimentação de seus filhos com fórmulas, pois vezes acham que o filho não está alimentado o suficiente. Mas a recomendação é que isto só seja feito se não tiver mais jeito. “A fórmula é a última opção de suplementação. Existem várias estratégias e intervenções a serem implementadas antes de introduzir a fórmula. E geralmente elas funcionam, por isso buscar ajuda com equipe especializada faz toda a diferença”, alerta a professora da pós-graduação em aleitamento materno e banco de leite humano Mariana Gonçalves, da Faculdade IDE.

Complementar com outros alimentos, mesmo que sejam naturais, também não é recomendado. “A introdução alimentar só deve ser iniciada por volta dos seis meses de vida da criança, no momento que ela esteja preparada para sentar e receber o alimento. Essa alimentação é iniciada lentamente, no início a criança vai conhecer os alimentos, as diferentes texturas, sabores, por isso durante muito tempo o leite materno continua sendo o principal alimento”, instrui.


PREPARAÇÃO NA GRAVIDEZ

Ainda na gravidez, surgem muitas dúvidas com relação a preparação dos seios para quando chegar a hora de amamentar. Então, algumas mães buscam auxílio de produtos ou terapias que prometem preparar melhor as mamas para isso. “Não recomendamos nenhum tipo de intervenção na gravidez. A única preparação ainda na gravidez é adquirir informações de qualidade: leia, estude, pesquise sobre amamentação e puerpério. Não existe seio adequado, o corpo humano é muito bem feito, o Criador o fez da melhor maneira”, orienta.

Para as mamães de primeira viagem, a professora da pós-graduação de enfermagem em neonatologia e pediatria intensiva Nayale Lucinda orienta buscar sempre informações em locais confiáveis e que partilhem informações baseadas em evidências científicas. “Procure relatos de mães, rodas de apoio, onde são compartilhadas histórias de outras mães que podem estar ajudando. Porque não existe um manual ou nada pronto, cada mulher vai desenvolvendo o seu jeito de cuidar e amamentar o seu filho. Além disso, orientações de profissionais capacitados e equipe profissional de bancos de leite humano podem ajudar muito”, comenta.


COMO DAR DE MAMAR?

Não existem técnicas para a criança mamar melhor, mas orientação profissional pode ajudar. “O desconhecido causa medo e insegurança, logo, quanto mais orientada a mulher estiver, mais segurança e tranquilidade ela vai ter. Lembrar que o bebê não nasce sabendo mamar, e nem a mãe a amamentar, eles vão aprender juntos. Mesmo não sendo o primeiro filho, cada gestação é diferente da outra, cada bebê tem suas individualidades. Lógico, se alguém qualificado puder ensinar essa mãe, as chances de o bebê mamar melhor aumentam”, elucida Mariana sobre a importância de buscar apoio profissional.

A professora Nayale Lucinda conta ainda que não é preciso se preocupar com o tempo em que o bebê passa entre uma mamada e outra. A orientação que a enfermeira traz é do Ministério da Saúde e da OMS, que é a livre demanda, então não existe isso de horário de aleitamento não. “Bebê acordou e está com vontade de mamar, vai mamar. Depende muito de criança para criança e com o tempo a mãe vai percebendo que nem todo choro é fome, muitas vezes é necessidade de colo”, ressalta.


MULHERES QUE NÃO AMAMENTAM

Existem casos em que mulheres deixam de amamentar por uma decisão delas, sendo muito importante compreender, apoiar e ajudar com informações fidedignas, mostrando os benefícios da amamentação e conversando sobre as dificuldades que elas enfrentam. “Para muitas mulheres, a amamentação não é fácil e elas precisam ser compreendidas e acolhidas”.

“Também precisam ser respeitadas em suas decisões, sendo assim, informações e partilhas quanto à vivência da amamentação podem colaborar numa decisão consciente e, geralmente, numa decisão de amamentar seu bebê. Portanto, o esclarecimento é fundamental para qualquer mulher”, aconselha, Nayale Lucinda.


DIETA DA MÃE DURANTE A AMAMENTAÇÃO

Durante a amamentação, é importante que a mãe tenha uma alimentação variada e se mantenha saudável. Geralmente não é preciso fazer nenhuma restrição ou dieta específica, pois até o momento não há comprovações de alimentos que estimulem ou prejudiquem a produção de leite. Segundo Nayale, a mudança na dieta é feita apenas em casos em que a criança desenvolve alguma intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca, dentre outras patologias específicas, devendo ser feito com acompanhamento do nutricionista e do médico.

Para Mariana, não existe alimento mais indicado ou menos indicado para se consumir enquanto se está amamentando, porém o que deve ser feito é observar as reações. “Lógico que frituras, enlatados e refrigerantes devem ser evitados sempre. Porém leite, frutas, chocolate, cafeína, feijão, repolho e outros alimentos que as pessoas costumam eliminar da dieta devem ser observados seu real efeito na mãe e no bebê. Observa-se dupla mãe e bebê que não apresentam nada, mesmo a mãe consumindo todos os alimentos, sem fazer nenhuma restrição. A maturação intestinal do bebê vai acontecer pois está em desenvolvimento.

A enfermeira continua orientando sobre cortar comidas prazerosas sem que elas estejam fazendo mal. “Privar uma puérpera de ingerir em pequena quantidade um alimento que ela tem desejo, vontade e a deixa triste e estressada sem ele, é muito pior para o sucesso da amamentação, precisamos de mães emocionalmente saudáveis, e se para ela aquele alimento é tão importante, coma”.

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