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Terapia ocupacional, forte aliada no tratamento do autismo

Contribui para o desenvolvimento das habilidades necessárias para que o indivíduo diagnosticado com autismo melhore o seu desenvolvimento


Os sintomas do transtorno do espectro autista (TEA) se iniciam na infância e se estendem durante a adolescência e persistem na idade adulta. A terapia ocupacional é uma importante área que propõe intervenções bastante úteis para minimizar os sintomas típicos do autismo. Devido aos novos métodos diagnósticos, o número de autistas está aumentando no nível global: a cada 160 crianças do planeta, uma apresenta o transtorno do espectro autista. Em nosso país, o número de casos de TEA também é elevado, pois 1% dos bebês brasileiros nascem com autismo.

Tendo isso em vista, a proposta deste artigo de Jéssica Bastos, terapeuta ocupacional do Hospital Santa Mônica, é mostrar como a terapia ocupacional contribui para o desenvolvimento das habilidades necessárias para que o indivíduo diagnosticado com autismo melhore o seu desenvolvimento. Acompanhe!

O que é terapia ocupacional?

Essa área é específica para cuidar da prevenção, tratamentos e acelerar a reabilitação de diversas doenças. Pacientes portadores de dificuldades cognitivas, distúrbios emocionais, afetivos, perceptivos e psicomotoras podem experimentar significativa melhora por meio das intervenções do terapeuta ocupacional. O terapeuta ocupacional — como é chamado o especialista nesse campo de atuação — prioriza medidas de prevenção com base no desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos que são aplicados de acordo com a necessidade de cada indivíduo. Desse modo, esses profissionais avaliam as melhores alternativas e empregam diferentes atividades de trabalho com vistas à evolução do tratamento dos distúrbios físicos, mentais ou dos quadros associados a problemas sociais ou emocionais.

Nesse método de intervenção, o terapeuta ocupacional utiliza tecnologias e atividades diversas que objetivam a promoção da autonomia dos pacientes que necessitam melhorar a adaptação à vida social. Em adultos, a maior parte desses problemas são decorrentes de doenças físicas, mentais ou emocionais que não foram adequadamente tratadas.

Já para o autista, o terapeuta ocupacional elabora planos específicos de adaptação e busca desenvolver no paciente a autoconfiança necessária para reduzir os impactos característicos do TEA. O objetivo é ampliar as possibilidades de desenvolver os recursos necessários para tornar o cotidiano desses pacientes mais tranquilo e saudável. Desse modo, estimular condições de bem-estar e de autonomia são aspectos que contribuem positivamente para a qualidade de vida e saúde dos portadores de TEA.

Qual a importância da terapia ocupacional no tratamento do autismo?


A Revista Espaço Aberto, instrumento de circulação mensal da Universidade de São Paulo (USP), destacou em matéria recente que no Brasil há cerca de 2 milhões de autistas. No entanto, o número de casos pode ser bem maior, pois muitos indivíduos que apresentam os sintomas dessa doença ainda não foram devidamente diagnosticados. Diante disso, o terapeuta ocupacional desempenha uma função fundamental como tratamento complementar e integrado ao trabalho de psiquiatras e psicólogos. Por meio dessa metodologia é possível ampliar as possibilidades de melhoria e acelerar os estágios do tratamento do autismo.

Jéssica Bastos, terapeuta ocupacional do Hospital Santa Mônica, aborda alguns aspectos importantíssimos quanto à evolução do tratamento do TEA quanto aos sistemas de integração sensorial: “essa é uma relevante questão para o autista ou para criança que apresenta sintomas do autismo. Eu falo criança, por que geralmente, o autismo é diagnosticado na infância”, afirma.

Segundo a terapeuta, a integração sensorial pode ser entendida como a forma que o corpo do autista recebe as informações dos sentidos. Explicando melhor como o tratamento se processa, ela diz: “a terapia ocupacional começa a trabalhar com texturas, cheiros e explora os sentidos do paciente para que ele consiga aceitar alguns estímulos que, para ele são muito aversivos. ”

Jéssica destaca que o objetivo é transformar esses estímulos em algo aceitável por meio da melhor integração dos sentidos. “Por exemplo, o toque — que é algo normal para a maioria das pessoas —não é bem percebido pela maioria dos autistas. Para eles, o tocar é interpretado como um estímulo doloroso e que incomoda bastante. ”

Percebe-se, então, que o terapeuta ocupacional está apto para trabalhar atividades referentes a texturas, cheiros, gostos e integrar esses sentidos. Isso ajuda o autista a compreender que esses sinais precisam ser encarados como algo natural e normal.

Como a terapia é aplicada?

Os profissionais desse campo exploram diferentes estratégias adaptativas que podem promover o desenvolvimento e melhorar a integração do autista com as pessoas e com o mundo ao redor deles. Segundo Jéssica, as tecnologias assistivas são as ferramentas mais adequadas para fazer alguma adaptação na rotina do paciente. Para facilitar o entendimento, ela exemplifica com práticas do cotidiano: “por exemplo, óculos é uma tecnologia assistida, e uma colher com um engrossador é outro exemplo. As pessoas aprendem a colocar os óculos no rosto porque veem alguém fazer isso. Engrossador é algo simples: é um EVA enrolado em uma colher para o paciente conseguir segurar a colher com maior firmeza. ”



No caso específico do autismo, ela diz que é possível melhorar a comunicação, já que os autistas são pouco comunicativos: “a gente pode utilizar a comunicação alternativa, que são alguns instrumentos para trocar a comunicação por gestos que facilitem a interação com eles. Um exemplo simples é quando eles veem uma figura e apontam que querem aquilo. Ou quando querem água, eles mostram uma figurinha de água. ” Com esses métodos terapêuticos pode-se obter excelentes resultados no trabalho com portadores do TEA. Porém, tudo depende do momento e da condição clínica do autista. Algumas técnicas podem ser empregadas de diferentes formas e alcançar resultados igualmente positivos.

Qual o papel da terapia ocupacional na inclusão social do autista?

A inclusão social do autista é um tema que vem ganhando espaço, mas que ainda é considerado um grande desafio, sobretudo para a área de Educação. No Brasil, o número de portadores do TEA matriculados em classes comuns aumentou 37,27% em apenas um ano. Nesse contexto, a terapia ocupacional trabalha no reforço dos comportamentos positivos a fim de integrar a criança autista à realidade do seu espaço de convivência. Jéssica defende que “a terapia ocupacional contribui mais porque ela pode atingir qualquer campo de atividade. ”

Na prática, as metas são criadas conforme a necessidade da criança: “se o autista tem problema na interação social, a terapia trabalha isso. Se há falhas na coordenação psicomotora, também é possível propor soluções. ” Por meio dessas intervenções profissionais promove-se novos hábitos e a redução de comportamentos prejudiciais como agressões, estereotipias, autolesões, agressões verbais e outros. Priorizar essas medidas preventivas é fundamental à inclusão social do portador de TEA. A terapia ocupacional consegue, pois, atingir todos os campos dos problemas do autista e trabalhar com atividades específicas para alcançar esses objetivos. O grande desafio é promover habilidades necessárias para que o autista consiga adquirir autonomia e desfrutar da melhor qualidade de vida possível.

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