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Preocupado com o aprendizado do seu filho?

Em meio à pandemia, Semana Nacional da Educação Infantil promove reflexão sobre as condições em que crianças vivem e se desenvolvem

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a educação ganhou destaque quando as aulas presenciais se tornaram virtuais e muitas dúvidas surgiram. Com a intenção de fortalecer a base da educação e o desenvolvimento das crianças, foi instituído o Dia Nacional da Educação Infantil, comemorado no dia 25 de agosto. Neste contexto, o Marco Legal da Primeira Infância (Lei nº13.257/2016) reconhece que os primeiros mil dias de vida (desde a gestação até os dois primeiros anos de vida) representam um período importante de oportunidade para o desenvolvimento neurológico, cognitivo, psicomotor e emocional.



A coordenadora da Educação Infantil do Colégio Marista Anjo da Guarda, de Curitiba (PR), Maria Tereza Fuck de Oliveira, explica que ouvir as crianças e suas necessidades é algo essencial. “É importante reconhecer que assim como nós adultos, as crianças também estão abaladas com a pandemia e sofrendo com o afastamento social. Dar voz, acolher esses sentimentos mostrando sua legitimidade e passando confiança de que isso vai passar é o melhor caminho”. Vale explicar também que a escola e as relações criadas com professores e colegas de turma ainda existem e são mantidas por meio da modalidade remota de aulas. Confira algumas orientações para que as famílias possam apoiar o aprendizado dos pequenos nesse momento: Existe um lugar mais propício? Quando as aulas presenciais foram substituídas pelas atividades remotas, a casa virou o espaço principal de aprendizado. Então essa realidade deve se adequar a cada moradia, mas o mais importante é o acompanhamento de um adulto ou irmão/irmã mais velho que possa apoiar a criança no manuseio do computador (manter a câmera ligada; manter o microfone desligado quando algum colega está falando, ajudar a criança a mostrar algum objeto se solicitado, etc.). “O adulto deve buscar um espaço sem outros estímulos, evitar que a televisão esteja ligada, e que a criança se sinta minimamente confortável, evitando ter ao seu alcance uma variedade de brinquedos ou outros elementos que promovam a distração”, orienta Maria Tereza. Mantendo o foco A distração é aceitável e inerente à etapa normal de desenvolvimento da criança. Maria Tereza lembra ainda que não é recomendado que as crianças pequenas fiquem expostas à tecnologia por muito tempo. Assim, dosar o período dos encontros on-line de acordo com a idade é fundamental para manter a concentração na atividade. “O cuidado e a sensibilidade do adulto que acompanha a criança neste momento são bem importantes”, ressalta. Vale checar se a criança não está com sono ou fome e também valorizar o momento do encontro online não como uma obrigação, mas como uma oportunidade de reencontro da criança com a sua professora e colegas. E claro, nunca forçar a participação na atividade, mas sim ouvir e respeitar a maneira como a criança está sendo capaz de lidar com aquele momento novo e que é desafiante. Brinquedos ajudam? Depende da idade. Se for uma criança bem pequena, até os 3 anos, por exemplo, talvez ela tenha no brinquedo um apoio de segurança. Já uma criança um pouco maior pode se distrair mais facilmente e isso vai interferir na sua atenção.

A escuta atenta da professora e a sua observação em alguns casos, poderá fazer com que uma das propostas seja mostrar os brinquedos, narrar alguma história a partir de algum bicho de pelúcia ou boneca, por exemplo. Alimentação interfere no foco? O ideal é que a criança possa ter uma certa “rotina” em sua casa, tendo claro os momentos para cada atividade. Hora de lanchar não deveria ser durante o momento dos encontros on-line. O mais indicado é respeitar os horários das refeições para que toda a família sente junta à mesa. Qual é o papel dos pais?

Não há uma única resposta, pois depende da idade e do desenvolvimento de cada criança, mas algumas orientações gerais são válidas. Mesmo que remotamente, a responsabilidade em conduzir o processo é da escola e da professora. É fundamental que os pais acompanhem estimulando a participação, interessando-se pelo aprendizado de seus filhos, mediando quando necessário, mas que não façam as atividades ou mesmo indiquem as respostas aos filhos. Esta atitude, muitas vezes, mascara a real condição de aprendizado da criança. A coordenadora explica que a autonomia é um ponto importante e muito valorizado na maior parte das atividades. “Espera-se que as crianças sejam capazes de resolver os desafios e as atividades sozinhas. Este é um ponto importante e caberá à professora que está conduzindo o encontro on-line, sinalizar se a criança precisa pedir ajuda para aquele adulto que está em casa ou ao seu lado”, comenta. O conteúdo da aula deve ser reforçado durante o dia? A proposta dos encontros online e as que são ofertadas para que as crianças experimentem e realizem, são baseadas em atividades com intencionalidade pedagógica, que consideram os direitos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças pequenas, respeitam os campos de experiências previstos na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e estão alinhadas ao currículo Marista para a Educação Infantil. Maria Tereza lembra que a família não precisa reforçar conteúdos, mas indica, no entanto, que um estímulo ao aprendizado pode ser feito por meio de leitura diária de histórias, de jogos, de convites para que a criança ajude em pequenas tarefas domésticas. Ela pode ajudar a fazer um bolo e ter contato com as quantidades e medidas, ajudar a colocar os talheres na mesa de acordo com a quantidade de pessoas na casa, selecionar e guardar seus brinquedos, entre outros. “A valorização da autonomia, da ação e de organização do pensamento ajudam no desenvolvimento como um todo”, explica.

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